Vivência CristãJovem CristãoDoar a vida pelo Evangelho não é fácil. É uma longa caminhada numa estrada árdua e pedregosa. Mas, ele desejava tanto isso, estava disposto até a dar a sua vida realmente se fosse preciso, pois que não via Felicidade maior do que servir ao Cristo. Dessa forma, Orígenes de Alexandria iluminou a todos por onde passou e ajudou a muitos na transformação interior, fazendo com que cada um também encontrasse a sua estrada e, com alegria, a seguisse em direção ao Mestre de Nazaré. Tudo começou quando Orígenes ainda era criança e seu pai, Leônidas, por ser um fervoroso cristão, o incentivava a estudar primeiro as Escrituras (Antigo e Novo Testamento) e a produzir dissertações sobre os ensinamentos aprendidos. Depois disso, o pequeno Orígenes podia fazer outras coisas, como estudar outras ciências da época, por exemplo. E foi assim que ele cresceu, aprendendo a colocar as questões espirituais em primeiro lugar. Leônidas foi um mártir e isso fez despertar no filho um desejo imenso em doar também a vida por Cristo. Com o tempo, Orígenes aprendeu que podemos doar a vida em vida, ou seja, viver para o Evangelho. Orígenes estudava na Escola Cristã de Alexandria desde jovem, tendo como mestre, Clemente, que precisou se ausentar da escola devido às perseguições acirradas aos cristãos. Com isso, Orígenes substituiu Clemente e tornou-se dirigente da Escola. De tal forma ele se dedicava, que tudo o que ele fazia era para Jesus – sua fala era sobre o Evangelho; sua escrita produzia obras sobre o Cristianismo; seu andar o levava para diferentes regiões difundindo os ensinamentos de Jesus; seu ouvir reunia os mais diversos testemunhos sobre o Evangelho para aumentar o próprio entendimento; seu agir visava sempre ao bem, buscando colocar em prática tudo o que aprendia com as Escrituras; seu pensar era em torno do nosso Irmão Maior, enfim, tudo e todo o seu tempo era para Jesus. De manhã e à tarde, ele cuidava da Escola Cristã dando aulas, recebendo pessoas de todos os lugares que iam até lá para ouvir os seus discursos. Uns estavam de passagem, outros acabavam se tornando alunos, porém, tinham também aqueles contrários que queriam discutir e se mostrarem certos. A todos Orígenes atendia por meio de seus discursos mansos, doces e, ao mesmo tempo, muito racionais e lógicos. Em outras palavras, tudo o que ele dizia era irrefutável e por mais que alguns tentassem contradizê-lo, chegava um momento que era inevitável: ou concordavam ou se calavam perante ele. Entretanto, existiu alguém, em especial, um homem chamado Demétrio, que não concordou nem se contentou em se calar. Acabou inventando um diálogo onde ele “vencia” e espalhou o falso documento entre as comunidades cristãs. Outro homem acusou Orígenes por suas próprias ideias, adulterando as obras. Com isso, Demétrio, responsável por comunidades cristãs no Egito, denegriu a imagem dele, dizendo que Orígenes cometeu absurdos ao seguir o Evangelho ao pé da letra, como se fosse possível um homem tão voltado para as questões do espirito, como Orígenes, se preocupar com o sentido literal e não filosófico e espiritual dos ensinamentos de Jesus. E o que Orígenes fazia? Reagia o mal sempre com o bem. Esclarecia, enviando o original de suas obras, para que cada um analisasse e chegasse às próprias conclusões. Elas demonstravam, por si só, a verdade. Mais do que por palavras, ele ensinava pelo exemplo, demonstrando que insculpia, a cada dia, o Cristo dentro de si. Inspirado EscritorÀ noite, ele escrevia obras e mais obras. Foram tantas que os historiadores estimam em mais de seis mil. Todavia, infelizmente, grande parte foi queimada e destruída e o pouco que nos restou está com muita adulteração e erros de tradução, o que torna a leitura muito confusa. Além disso, Orígenes de Alexandria fez comentários tanto sobre o Antigo quanto o Novo Testamento, um Tratado sobre o Livre-Arbítrio, sobre a Prece, o Tratado de Princípios e muitas outras obras. Mas dentre elas, a que mais se destacou e que ele levou a vida toda desenvolvendo chama-se Hexapla. Ele reuniu diversas versões das Escrituras e as comparou, organizando em colunas, a fim de encontrar o que seria mais próximo dos escritos originais. Analisando-as, Orígenes verificou diversas diferenças nos pergaminhos, prova de que já no século III tínhamos adulterações e interpolações no Evangelho. Exemplo também da perseverança e a dedicação no trabalho do Bem, afinal, ele passou décadas materializando este trabalho e é graças a ele que, hoje, temos a Bíblia. Foram os seus escritos reunidos por Panfílio e Eusébio de Cesareia que formaram a primeira biblioteca cristã da História da Humanidade. Difusor de LuzEm meio a tantas tarefas, ele ainda tinha tempo para viajar, pois que muitas pessoas de lugares distantes ouviam falar desse mestre das escrituras e desejavam ouvi-lo. E Orígenes estava sempre pronto para servir, fazendo questão até de ir pelo caminho mais longo se fosse preciso, para que assim pudesse passar por mais cidades e levar o evangelho a mais e mais pessoas. Mas, o evangelho não era conhecido? Sim, Paulo de Tarso já havia disseminado os ensinamentos de Jesus, entretanto, como vimos, já existiam alterações e muitas passagens foram também retiradas para que não se mostrasse um Jesus amigo. Ao invés disso, divulgavam um Jesus frio, se colocando como um líder, melhor que todos. Acontece que Orígenes “mergulhou” tanto no evangelho com o objetivo de encontrar esse Jesus verdadeiro, o Jesus humilde e caridoso, que compreendeu a necessidade de se estudar e entender os sentimentos elevados, nobres, isto é, as virtudes. Educador de AlmasNa Escola de Alexandria, Orígenes não formava pessoas, e sim, almas. Havia as ciências normais da época, a cultura helênica – astrologia, aritmética, física e etc, mas todas elas eram usadas como apoio para auxiliar no melhor entendimento da ciência mais importante: a cristã. A meta era deixar para trás o homem velho e construir o homem novo e, para isso, ele estimulava o raciocínio dos alunos para que eles conseguissem analisar e identificar os seus próprios erros, suas atitudes malsãs – resultado possível através do estudo aprofundado das virtudes, “que não era uma ou duas, mas todas elas”, conforme relata um dos alunos Gregório de Taumaturgo, ao escrever uma carta de agradecimento a esse mestre bem-amado, como Gregório o chamava. Por fim, como trabalhador incansável, Orígenes não desistia, perseverando até encontrar dentro de cada irmão algo que fosse útil, uma habilidade ou capacidade que, se aplicadas no Bem, certamente dariam belos e saborosos frutos – frutos de elevação espiritual. Esse amigo de Deus, como Gregório nos conta, que parecia ter algo de divino dentro de si, como se estivesse num grau de elevação inalcançável, se apresentava de forma simples, como um homem dedicado e esforçado, que colocava tudo de si para que os outros alcançassem a verdadeira Felicidade, mostrando que ela é possível e acessível a todos, bastando para isso, querermos também estar mais próximos de Deus, seguindo os passos de nosso Irmão Jesus. |
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